Urgência auditiva
Surdez súbita: quanto antes tratar, maior a chance de recuperação.
A perda repentina da audição, geralmente em um único ouvido, deve ser avaliada sem demora. Mesmo com tratamento, pode haver perda auditiva permanente. O atendimento rápido e o início adequado da terapia aumentam a possibilidade de recuperação.
Pode surgir ao acordar ou evoluir em poucas horas ou dias.
Às vezes parece apenas pressão ou acúmulo de cera.
Podem acompanhar a perda auditiva e precisam ser relatados.
Diagnóstico
A suspeita começa pelos sintomas. A audiometria confirma.
O diagnóstico começa pela história clínica e pelo exame do ouvido. A audiometria é o principal exame para confirmar se existe uma perda auditiva neurossensorial — aquela que envolve o ouvido interno ou o nervo da audição.
Outros exames podem ser solicitados para investigar a origem da perda, como ressonância magnética e exames laboratoriais em situações selecionadas. Entretanto, na maioria dos pacientes nenhuma causa específica é encontrada. Esses casos são chamados de surdez súbita idiopática.
Tratamento
O tempo faz diferença.
Os corticoides são a principal opção de tratamento e, quando indicados, devem ser iniciados precocemente. Eles podem ser administrados por via oral ou diretamente no ouvido, por meio de aplicação intratimpânica. A escolha da via depende do quadro auditivo, do tempo de evolução, das condições de saúde e das contraindicações de cada paciente.
O corticoide intratimpânico também pode ser utilizado como tratamento de resgate quando a recuperação após a terapia inicial é incompleta. Não se deve iniciar corticoide por conta própria: dose, via e duração exigem indicação e acompanhamento médico.
Tratar cedo não garante a recuperação completa. Ainda assim, iniciar o tratamento de forma rápida e adequada aumenta significativamente as chances de recuperar a audição e pode reduzir o risco de sequelas.
Exemplo prático
O mesmo paciente. Uma diferença: o início precoce do tratamento.
A calculadora SeaSHeL estima a probabilidade de recuperação auditiva completa com base em cinco fatores clínicos. Na simulação abaixo, mantivemos todas as características iguais: paciente de 37 anos, sem doença cardiovascular, sem vertigem e com perda auditiva moderada. Mudamos somente o momento do tratamento.
probabilidade estimada de recuperação completa
Intervalo de confiança de 95%: 9,4%–41,6%probabilidade estimada de recuperação completa
Intervalo de confiança de 95%: 42,1%–73,7%

Esta comparação é uma simulação educativa, não uma promessa de resultado. A calculadora foi desenvolvida e validada internamente com dados de pacientes adultos atendidos no Reino Unido, mas ainda necessita de validação externa. Ela não substitui consulta, audiometria ou julgamento médico.
Acessar a calculadora SeaSHeL ↗Possíveis causas
Na maioria das vezes, não se encontra uma causa definida.
Idiopática
É a situação mais comum: mesmo após a investigação, os exames não identificam a origem da perda.
Infecções
Algumas infecções virais ou bacterianas podem afetar o ouvido interno e a audição.
Doenças autoimunes
Em casos menos frequentes, o sistema de defesa pode atacar estruturas do ouvido interno.
Alterações vasculares
Problemas de circulação podem comprometer o suprimento de sangue para a cóclea.
Traumas e medicamentos
Trauma, exposição sonora intensa e alguns medicamentos tóxicos para o ouvido também podem causar perda.
Outras doenças
Alterações neurológicas ou lesões do nervo auditivo são causas raras que precisam ser excluídas quando indicado.
COVID-19 e vacinas
Os estudos não demonstraram aumento da incidência.
Estudos populacionais não demonstraram que as vacinas contra a COVID-19 aumentem o risco de surdez súbita. Da mesma forma, estudos que compararam os períodos anterior e posterior à pandemia não documentaram aumento consistente da incidência relacionado à COVID-19 ou à vacinação.
Casos que acontecem depois de uma vacina podem coincidir no tempo sem que isso signifique que a vacina tenha causado o problema. A investigação e o tratamento não devem ser atrasados pela tentativa de atribuir a perda auditiva à vacinação.
Referências
- Mandavia R, Joshi N, Hannink G, et al.; SEASHEL Collaborative. A Prognostic Model to Predict Hearing Recovery in Patients With Idiopathic Sudden Onset Sensorineural Hearing Loss. JAMA Otolaryngol Head Neck Surg. 2024;150(10):896–906. doi:10.1001/jamaoto.2024.2598.
- Chandrasekhar SS, Tsai Do BS, Schwartz SR, et al. Clinical Practice Guideline: Sudden Hearing Loss (Update). Otolaryngol Head Neck Surg. 2019;161(1 Suppl):S1–S45.
- Nieminen TA, et al. Sudden Hearing Loss Following Vaccination Against COVID-19. JAMA Otolaryngol Head Neck Surg. 2023.
- Thompson EC, Altartoor K, Vivas EX. Sudden Hearing Loss before, during, and after the Pandemic. Audiol Neurootol. 2025;30(1):25–33.
Atendimento em Brasília
Dr. Fernando Massa Correia
Otorrinolaringologista com atuação dedicada à Otologia
CRM-DF 24590 | RQE 15586
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Clínica ECOA Otorrinolaringologia
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