Urgência auditiva

Surdez súbita: quanto antes tratar, maior a chance de recuperação.

A perda repentina da audição, geralmente em um único ouvido, deve ser avaliada sem demora. Mesmo com tratamento, pode haver perda auditiva permanente. O atendimento rápido e o início adequado da terapia aumentam a possibilidade de recuperação.

01Queda repentina da audição

Pode surgir ao acordar ou evoluir em poucas horas ou dias.

02Ouvido abafado ou tampado

Às vezes parece apenas pressão ou acúmulo de cera.

03Zumbido ou tontura

Podem acompanhar a perda auditiva e precisam ser relatados.

Diagnóstico

A suspeita começa pelos sintomas. A audiometria confirma.

O diagnóstico começa pela história clínica e pelo exame do ouvido. A audiometria é o principal exame para confirmar se existe uma perda auditiva neurossensorial — aquela que envolve o ouvido interno ou o nervo da audição.

Outros exames podem ser solicitados para investigar a origem da perda, como ressonância magnética e exames laboratoriais em situações selecionadas. Entretanto, na maioria dos pacientes nenhuma causa específica é encontrada. Esses casos são chamados de surdez súbita idiopática.

1Reconhecer a perda súbita
2Avaliar o ouvido
3Confirmar com audiometria
4Iniciar a conduta sem demora

Tratamento

O tempo faz diferença.

Os corticoides são a principal opção de tratamento e, quando indicados, devem ser iniciados precocemente. Eles podem ser administrados por via oral ou diretamente no ouvido, por meio de aplicação intratimpânica. A escolha da via depende do quadro auditivo, do tempo de evolução, das condições de saúde e das contraindicações de cada paciente.

O corticoide intratimpânico também pode ser utilizado como tratamento de resgate quando a recuperação após a terapia inicial é incompleta. Não se deve iniciar corticoide por conta própria: dose, via e duração exigem indicação e acompanhamento médico.

Tratar cedo não garante a recuperação completa. Ainda assim, iniciar o tratamento de forma rápida e adequada aumenta significativamente as chances de recuperar a audição e pode reduzir o risco de sequelas.

Exemplo prático

O mesmo paciente. Uma diferença: o início precoce do tratamento.

A calculadora SeaSHeL estima a probabilidade de recuperação auditiva completa com base em cinco fatores clínicos. Na simulação abaixo, mantivemos todas as características iguais: paciente de 37 anos, sem doença cardiovascular, sem vertigem e com perda auditiva moderada. Mudamos somente o momento do tratamento.

SEM TRATAMENTO21,4%

probabilidade estimada de recuperação completa

Intervalo de confiança de 95%: 9,4%–41,6%
TRATAMENTO NOS PRIMEIROS 7 DIAS58,8%

probabilidade estimada de recuperação completa

Intervalo de confiança de 95%: 42,1%–73,7%
Simulação da calculadora SeaSHeL sem tratamento, com probabilidade estimada de 21,4%
Simulação 1 — nenhum tratamento recebido.
Simulação da calculadora SeaSHeL com tratamento nos primeiros sete dias, com probabilidade estimada de 58,8%
Simulação 2 — tratamento iniciado nos primeiros 7 dias.

Esta comparação é uma simulação educativa, não uma promessa de resultado. A calculadora foi desenvolvida e validada internamente com dados de pacientes adultos atendidos no Reino Unido, mas ainda necessita de validação externa. Ela não substitui consulta, audiometria ou julgamento médico.

Acessar a calculadora SeaSHeL ↗

Possíveis causas

Na maioria das vezes, não se encontra uma causa definida.

01

Idiopática

É a situação mais comum: mesmo após a investigação, os exames não identificam a origem da perda.

02

Infecções

Algumas infecções virais ou bacterianas podem afetar o ouvido interno e a audição.

03

Doenças autoimunes

Em casos menos frequentes, o sistema de defesa pode atacar estruturas do ouvido interno.

04

Alterações vasculares

Problemas de circulação podem comprometer o suprimento de sangue para a cóclea.

05

Traumas e medicamentos

Trauma, exposição sonora intensa e alguns medicamentos tóxicos para o ouvido também podem causar perda.

06

Outras doenças

Alterações neurológicas ou lesões do nervo auditivo são causas raras que precisam ser excluídas quando indicado.

COVID-19 e vacinas

Os estudos não demonstraram aumento da incidência.

Estudos populacionais não demonstraram que as vacinas contra a COVID-19 aumentem o risco de surdez súbita. Da mesma forma, estudos que compararam os períodos anterior e posterior à pandemia não documentaram aumento consistente da incidência relacionado à COVID-19 ou à vacinação.

Casos que acontecem depois de uma vacina podem coincidir no tempo sem que isso signifique que a vacina tenha causado o problema. A investigação e o tratamento não devem ser atrasados pela tentativa de atribuir a perda auditiva à vacinação.

Referências

  1. Mandavia R, Joshi N, Hannink G, et al.; SEASHEL Collaborative. A Prognostic Model to Predict Hearing Recovery in Patients With Idiopathic Sudden Onset Sensorineural Hearing Loss. JAMA Otolaryngol Head Neck Surg. 2024;150(10):896–906. doi:10.1001/jamaoto.2024.2598.
  2. Chandrasekhar SS, Tsai Do BS, Schwartz SR, et al. Clinical Practice Guideline: Sudden Hearing Loss (Update). Otolaryngol Head Neck Surg. 2019;161(1 Suppl):S1–S45.
  3. Nieminen TA, et al. Sudden Hearing Loss Following Vaccination Against COVID-19. JAMA Otolaryngol Head Neck Surg. 2023.
  4. Thompson EC, Altartoor K, Vivas EX. Sudden Hearing Loss before, during, and after the Pandemic. Audiol Neurootol. 2025;30(1):25–33.

Atendimento em Brasília

Dr. Fernando Massa Correia

Otorrinolaringologista com atuação dedicada à Otologia

CRM-DF 24590 | RQE 15586

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Clínica ECOA Otorrinolaringologia

Edifício LIFE Centro Integrado de Saúde

SGAN 608, Conjunto F, Sala 315

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